Leituras Amadianas

A importância da produção ficcional de Jorge Amado ganha cada vez mais relevância quanto mais ela é examinada, analisada e discutida com os aportes das teorias contemporâneas que desconstróem os paradigmas da modernidade. A análise criteriosa das leituras críticas modernas é quase sempre ambígua quando não é julgadora de suas tentativas de representar um mundo totalmente diferente da vida européia e “civilizada” que se quis implantar nesta região de contexto histórico bem diferente de outras regiões do país. Mas as teorias provenientes de outros pós-colonizados e mesmo originárias de teóricos brasileiros que começaram a produzir seus escritos após a década de oitenta do século XX, abriu a brecha para se compreender o que Amado queria representar. Talvez a ideologia e a “teimosia” de Amado em não assumir, inteiramente, os estatutos da Modernidade, lhe deu “carta branca” para tentar e experimentar gêneros e misturar os vários modos de narração erudita e popular, tentando representar as opiniões sociais, as divisões da cidade-capital, dar voz às margens que se atritava com o centro burguês, colonizado, “civilizado”. Suas tentativas e exploração de formas de narrar, de representar a massa popular, o entre-lugar de ida e vinda nas ruas da cidade de negros, mulatos e brancos com suas senhas de modo de viver diferentes, se batendo ou se chocando no dia-a-dia da cidade baixa ou cidade alta, conseguiu representar claramente o hibridismo dessa região chamada de Recôncavo. Neste livro, os ensaios críticos sobre a produção de Jorge Amado evidenciam as várias faces da cultura híbrida baiana capturada pelo escritor e seus escritos, desconstruindo a leitura dos analistas da Modernidade e ressignificando um mundo antes deixado à margem.

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ALVES, I. (Org.) ; Vieira, Nancy (Org.) ; SANTANA, C. P. B. (Org.) ; Almeidda, Alvanita (Org.) . Leituras Amadianas – ISBN 8587243748. 1. ed. Salvador: Quarteto Editora/Casa das Palavras (Casa de Jorge Amado), 2007. v. 1. 142p .