Turma 2009

Título: PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE AUTORAL NAS COMUNIDADES VIRTUAIS E BLOGS LITERÁRIOS
Mestrando: André de Jesus Neves
Orientador: Prof. Dr. Luciano Rodrigues Lima
RESUMO:

A presente dissertação é resultado de uma investigação cujo objetivo foi buscar compreender as transformações ocorridas na sociedade atual, que se deram a partir da apropriação de avanços tecnológicos, definidas como as responsáveis pela formação de uma sociedade em rede cujo resultado tem sido uma grande diversidade de produções literárias alternativas nas comunidades virtuais e blogs literários. A busca se dá, mais especificamente, no que se refere ao campo cultural em ambiente virtual, a cibercultura, com o propósito de entender os processos de subjetividades no ambiente virtual, nesse ambiente fluído e nômade. Trata-se, portanto, da análise dos processos de construção de identidade autoral de escritores alternativos no ciberespaço, que surgem numa relação de ambiguidade com o modelo (autor e obra), questionando-o e desconstruindo-o num continuum interminável. O trabalho, portanto, toma como objeto de estudo a produção literária de fanfiction, abrangendo tanto seus produtores, como sua produção e propõe-se a analisar como os escritores marginalizados fazem uso desse instrumento e, além disso, propõe-se, ainda, a ter uma percepção das transformações literárias provocadas pelo deslocamento da literatura hegemônica.

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Palavras-chave: Ciberliteratura. Crítica Cultural. Fanfiction. Identidade autoral.

Título: HISTORIADOR ANTROPÓFAGO: UM CARTÓGRAFO DA CULTURA POLÍTICA E DA POLÍTICA CULTURAL
Mestrando: André Luiz Oliveira dos Santos
Orientador:Prof. Dr. Osmar Moreira dos Santos
Resumo:

Trata-se de uma aventura teórico-crítica em torno da cultura política e da política cultural, partindo do Território Agreste de Alagoinhas/Litoral Norte (Território 18). Suas motivações: a emergência das políticas culturais levadas a efeito pelo MinC, desde 2003, e pela SECULT/Ba, desde 2007; o movimento de institucionalização da malha cultural no Brasil e seus desdobramentos socioculturais e políticos. Seu lugar de enunciação: a fronteira entre a história e a crítica cultural; as mediações na – e sobre a – linguagem. Seus âmbitos de ocorrência: o Território Agreste de Alagoinhas/Litoral Norte; o mapa institucional do Território 18; um mapa rizomático do Território 18. Riscos assumidos: devir historiador antropófago como um cartógrafo em diferença; agenciar uma série de noções de cultura como máquina de guerra em favor da vida; ativar uma cartografia rizomática a partir de um mapa de controle; partir do mapa institucional para depois parti-lo em pedaços. Suas armas: o jogo do/no discurso; a problematização constante; o perspectivismo crítico; o texto cênico; a ficcionalização do Território 18; a poesia. Sua sintaxe: primeiro impulso – recupera certas tradições críticas das quais a crítica cultural extrai sua potência operatória; evidencia seu diálogo com o campo historiográfico; retoma o materialismo cultural; problematiza a relação entre Estado e cultura; defende a potência da antropofagia enquanto teoria da cultura; segundo impulso – perscruta o movimento de institucionalidade da cultura no Brasil, em geral, e na Bahia, em particular, a partir das políticas culturais emergentes sobretudo nos últimos 08 anos (2003-2010); traça um esboço dessas políticas, comparando-as com políticas anteriores; terceiro impulso: descreve o funcionamento do mapa de domínio estatal a partir da atuação do Estado na área cultural; deseja uma cartografia rizomática do Território Agreste de Alagoinhas/Litoral Norte enquanto linha de fuga desse domínio. Sua maior contribuição: um mapa feito para (des)orientar.

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Palavras-chave: Historiador antropófago. Cultura política e política cultural. Território Agreste de Alagoinhas/Litoral Norte. Cartografia rizomática.

BRASÕES SUJOS DE LAMA: A COMPLEXIDADE DA CULTURA POPULAR NORDESTINA NA MÚSICA DE CHICO SCIENCE & NAÇÃO ZUMBI (CSNZ)
Mestrando: Antonio Marcelo de Oliveira Ferreira
Orientadora: Prof.ª Dr.ª Edil Silva Costa
Resumo:

Este trabalho propõe discutir a noção de identidade cultural nordestina a partir das hibridizações propostas nas músicas de uma das bandas precursoras e mais conhecidas da Cena Manguebeat: Chico Science & Nação Zumbi (CSNZ). Para realização do trabalho partiu-se, num primeiro momento, da observação das imagens fixadas nas produções artísticas a respeito do Nordeste do Brasil; na sequência analisou-se as produções artísticas que apresentam referências que fogem da lógica do Nordeste inventado, não só na música, mas também no cinema; finaliza-se com a análise das letras das músicas de dois discos: Da Lama ao Caos e Afrociberdelia, ambos lançados por Chico Science em vida. A análise leva a perceber como as letras das músicas em questão, através das vozes historicamente silenciadas da periferia, problematizam as imagens de Nordeste inventadas historicamente e que são reiteradas pelos próprios nordestinos e nordestinas em outras produções artísticas.

Palavras-chave: Identidade Nordestina. Manguebeat. Chico Science & Nação Zumbi. Nordeste do Brasil. Crítica Cultural.
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Título: O JUNCO: LUGAR-PERSONAGEM NA OBRA DOS ESCRITORES D’ESSA TERRA
Mestranda: Cristiana da Cruz Alves
Orientador: Prof. Dr. Luciano Rodrigues Lima
Resumo:

Estudam-se, neste trabalho, as redes de intercâmbio socioculturais, que se entrelaçam através da literatura, no espaço geográfico que dá origem ao tema “O Junco: lugar-personagem na obra dos escritores dessa terra”. Sob o viés da crítica cultural, faz-se uma reflexão sociocultural, na qual são entrecruzados os fios da subjetividade, das autobiografias, da memória individual e coletiva existentes nas obras literárias abordadas. O Junco figura, aqui, como o entrelugar do real e do ficcional, do local e do global e está presente tanto nas obras quanto nas entrevistas com os autores da cidade de Sátiro Dias, Bahia. Discute-se, ao mesmo tempo, os aspectos intrínsecos das obras e os elementos extrínsecos, como o modo de produção, editoração, publicação, circulação e, por fim as Políticas Públicas para o Livro e a Leitura (PPLL) na região. Ao final, conclui-se que o “Junco”, espaço mítico e ficcional nas obras dos autores estudados, é uma reinvenção desterritorializada do próprio mundo da vida desses autores.

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Título: “SAINDO DO ARMÁRIO”, PORTAS SE ABREM/FECHAM? AS SEXUALIDADES NA ESCOLA E NA FORMAÇÃO DOCENTE
Mestranda: Elisete Santana da Cruz França
Orientadora: Prof.ª Drª Maria Nazaré Mota de Lima
Coorientadora: Profª Drª Suely Aldir Masseder
Resumo:

A escola, enquanto espaço formativo, exerce um papel fundamental na afirmação ou no silenciamento das questões de gênero e sexualidade, legitimando determinadas identidades sexuais e marginalizando outras. Instigada comessa tensão que se apresenta no contexto escolar, o presente estudo investiga como as sexualidades se apresentam na cultura escolar e na formação de professoras/es de uma escola de ensino médio da rede estadual de ensino de Salvador. Para subsidiar essa investigação, dialoguei com pesquisadoras/es do campo da crítica cultural, teóricos que discutem gênero e sexualidade, formação de professores e currículo como: Foucault (1988), Butler (2001), Louro (2010), Moita Lopes (2006), Hall (2003) e Macedo (2001).Aabordagem metodológica está subsidiada nos pressupostos da pesquisa de cunho qualitativodo tipo etnográfico, considerando-a como adequada por adotar uma tradição compreensiva ou interpretativa, para a qual a subjetividade dos sujeitos, pesquisador e pesquisados, é ativa no processo de construção de sentidos, tradição esta que se fundamenta no estabelecimento de uma relação dialógica e implicada com o contexto. Assim, foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com cinco professoras e cinco professores,construção do diário de campo referente às participações nas reuniões pedagógicas e vivências no campo da pesquisa. Os resultados sinalizam que, apesar de a maioria dos atores acreditarem que a escola deva realizar um trabalho efetivo sobre educação sexual, existe um distanciamento entre as práticas pedagógicas e a proposta curricular da escola investigada. Identifica, inclusive, uma lacuna no processo formativo das professoras e professores, tanto na formação inicial quanto continuada, para discutir sobresexualidade e diversidade sexual na escola.

Palavras-chave: Cultura escolar. Formação de professores. Gênero. Sexualidades e Diversidade sexual.
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Título: A DESCONSTRUÇÃO DO SUJEITO: NARRATIVAS E MODOS DE VIDA DENTRO DA PRISÃO
Mestrando: Enio da Silva Costa
Orientador: Prof. Dr. Arivaldo de Lima Alves
Resumo:

Esta Dissertação de Mestrado, apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Crítica Cultural/UNEB, é um estudo sobre o sistema prisional brasileiro, considerado através do Conjunto Penal de Juazeiro, Bahia. O argumento fundamental da mesma é que a prisão, desde o seu nascimento, não tem cumprido o seu objetivo profícuo de ressocializar o criminoso, pelo contrário, tem servido para embrutecer ou se fortalecer como “fabrica” de deliquentes mais perigosos do que quando para a prisão foram enviados. Os processos de mutilação da personalidade e identidade dos sujeitos, a construção de uma nova identidade carcerária que somente serve ao ambi ente prisional, a relação hierárquica dentro do cárcere, com seus códigos de honra e conduta, os modos de vida, suas tensões e ambivalências, a sujeição à rotina e a rituais de boas-vindas que demonstram como será a vida no novo ambiente social, as estratégias de sobrevivência, que serão mais importantes do que a busca pela liberdade, a religião neopentecostal como possibilidade de mais um mecanismo de opressão ou de estratégia de sobrevivência no cárcere estão sendo destacados neste trabalho. Também se discute as propostas contidas em lei para a aplicação das penas alternativas, que tem sido ignorada pelos operadores do direito, assim como adoção da justiça restaurativa que diferentemente da justiça tradicional, propõe um novo modelo de resolução de conflitos, sem vitimização e estigmas. Além disso, outra questão discutida neste trabalho é a noção de crime-mercadoria, com a privatização do sistema carcerário, componente do ramo da indústria do encarceramento em massa. Por fim, pergunta-se, diante deste cenário do sistema prisional brasileiro, qual a função social da educação e quais as possibilidades efetivas que oferece para que o sujeito encarcerado reflita sobre si, venha a se reintegrar e re-significar sua existência na sociedade.

Palavras-chave: Prisão. Modos de vida. Criminoso. Educação.
COMUNIDADES QUILOMBOLAS: O RECONHECIMENTO E A AUTOIDENTIFICAÇÃO FRENTE AO PROCESSO DE GLOBALIZAÇÃO E A MASSIFICAÇÃO CULTURAL
Mestrando: Gilvan Barbosa da Silva
Orientador: Prof. Dr. Daniel Francisco dos Santos
RESUMO: O presente trabalho trata das comunidades quilombolas contemporâneas, tendo em vista sua cultura enquanto modo de vida e os desafios postos desde seu reconhecimento oficial junto ao Estado brasileiro; conforme preconiza a Constituição Federal de 1988. Busco evidenciar a problemática de uma autoidentificação consciente, bem como as dificuldades e as possibilidades de se engendrar um movimento de reconhecimento mais amplo, o quilombismo. Por fim, teço algumas considerações acerca dessas comunidades e seu acesso tardio à modernidade, evidenciando as ameaças desestruturantes da indústria cultural e dos meios de comunicação de massas no contexto da atual fase da globalização.
Palavras-chave: Quilombo. Cultura. Racismo indústria cultural. Modernização. Globalização.
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Título: QUE “OSADIA” É ESSA? REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DOS DISCURSOS DE PROFESSORAS/ES
SOBRE SEXUALIDADE NA AMBIÊNCIA ESCOLAR
Mestranda: Graciela Nieves Pellegrino Fernandez
Orientador: Professor Dr. Osvaldo Francisco Ribas Lobos Fernandez
Resumo: Osadia, Professoras/es, Representações Sociais,Sexualidade, Discurso.
Coorientadora: Prof. Dr. Profª. Drª. Maria Nazaré Mota
Resumo:

A pesquisa em questão objetiva apreender e identificar as representações sociais nos discursos de professoras (es) sobre sexualidade, na ambiência escolar, e como essas representações facilitam ou dificultam a interação com seus alunos. Busca identificar quais as dificuldades que servem de impedimento para que temas relacionados à sexualidade de crianças e jovens sejam discutidos na escola, esse locus privilegiado. Faz uma abordagem da história da sexualidade (Foucault), cultura sexual (Parker) das questões de gênero (Butler), a escola e sexualidade (Louro) e o currículo (Silva), possibilitando aprofundar essas questões emergentes da pesquisa, servindo como referencial importante para o tratamento dos dados obtidos através dos instrumentos de coleta de dados utilizados. Uso a metodologia qualitativa por permitir a análise de microprocessos estudando ações individuais e grupais, com exame exaustivo dos dados e tendo como característica a heterodoxia quando das análises necessárias. Uso como instrumentos de coleta de dados a observação, entrevistas miestruturadas e desenhos. A pesquisa ocorreu em três escolas públicas localizadas no município de Salvador, duas estaduais e uma municipal, de ensino fundamental II e médio, com a participação de dez professoras(es), com suas entrevistas analisadas com base nos construtos teóricos das Representações Sociais (Moscovici) e da Análise do Discurso (Orlandi). Resultados mostram a prevalência da palavra “osadia”, importante categoria de análise, caracterizada como a transgressão, a desobediência à lei, o que não pode ser dito nem deve ser feito. Esta palavra recorrente engloba desde uma simples pergunta a uma atitude mais descontraída desses alunos. Conclui que professoras/es tiveram iniciação sexual com base em ensaios e erros, que suas curiosidades foram alimentadas por adultos, mas não por seuspais, que a religião exerce o controle e justifica a necessidade de equidade.

Palavras-Chave: Osadia, Professoras/es, Representações Sociais,Sexualidade, Discurso.

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Título: Percursos de letramento de professoras: movimentos entre o lar, a formação e o ensino
Mestranda: Ivana Carla Oliveira Sacramento
Orientadora: Profa. Dra. Cláudia Martins Moreira.
Resumo:

Esta dissertação descreve e analisa os percursos de letramento de professoras de língua portuguesa em formação continuada, do Programa GESTAR II, da rede estadual de ensino do estado da Bahia da cidade de Alagoinhas. Procura-se identificar, neste trabalho, as práticas de leitura e de produção da escrita que são privilegiadas por essas professoras nas aulas de língua portuguesa, práticas essas determinadas pelas suas condições de letramento. A formação continuada do Programa GESTAR privilegia o contexto de ensino que focaliza o modelo ideológico de letramento (STREET 1984 apud KLEIMAN, 1995), portanto, procurou-se analisar, pelas nuances que se manifestaram nessas práticas, como as professoras elaboram a mesclagem das novas teorias a que foram expostas em face aos modelos e concepções teóricas em que foram formadas e como elas procuram transpor para a sua sala de aula. A pesquisa está alinhada às perspectivas dos Estudos Culturais, mas lança mão dos aportes teóricos da Linguística Aplicada, portanto obedecendo ao caráter transdisciplinar dessa área, ou, como denomina Moita Lopes (2008), da Linguística Aplicada “mestiça”. Além disso, está baseada na perspectiva teórica e epistemológica dos Estudos do Letramento (BARTON e HAMILTON, 2000; KLEIMAN, 1995, 2001, 2008). No âmbito dos Estudos Culturais, dialoga com Hall (2003, 2009), principalmente para discutir as questões identitárias das professoras. A metodologia de investigação seguiu o viés qualitativo (MINAYO, 1999; ANDRÉ e LUDKE, 1986) e (auto)biográfico (DELORY-MOMBERGER, 2008; JOSSO, 2004). Esses aportes conceituais nortearam a observação dos movimentos de recuos e avanços das professoras no processo de elaboração da prática da leitura e da escrita como objeto social e do reconhecimento de suas práticas como legítimas e culturalmente situadas. Concluiu-se que as professoras elaboram modelos variados de letramento, ora voltados para a reprodução de práticas do modelo autônomo em que foram formadas, ora revelam transformações de movimentos anteriores em direção a práticas baseadas no modelo ideológico, e tais movimentos estão atrelados às suas condições de letramento; além disso, observou-se, através das suas maneiras de dizer sobre o ensino, o engajamento dessas professoras na concepção da leitura e da escrita como prática social.
Palavras-chave: Letramento; Percursos de letramento; Formação de professoras; Leitura e escrita
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Título: A IDENTIDADE CULTURAL AFRO-BRASILEIRA PENSADA A PARTIR DAS CANTIGAS DE CAPOEIRA EM SALVADOR
Mestranda: Marcela Guedes Cabral
Orientador: Prof. Dr. Arivaldo de Lima Alves
Resumo:

Esta pesquisa toma as cantigas de capoeira como documentos capazes de oferecer compreensão acerca das representações e das identidades culturais afro-brasileiras entre os capoeiristas, principais sujeitos desta produção cultural. Salvador, considerada por muitos capoeiristas como “a meca da capoeira”, delimita o nosso local de pesquisa, de modo que a relação com esta cidade se impõe como critério de seleção das cantigas e dos mestres entrevistados na pesquisa. Foram selecionadas cerca de 80 cantigas de capoeira cantadas nos treinos e rodas de capoeira em Salvador, coletadas através de CD’s, livros, entrevistas e em rodas de capoeira. Para melhor entender o mundo da capoeira e da produção das cantigas, realizamos entrevistas com seis mestres de capoeira que atuam em Salvador. A partir destes documentos de composição de diversos mestres e capoeiristas, considerando suas vivências, pontos de vista e valores veiculados nestas cantigas, estabelecemos as bases para análise e compreensão de como se apresentam frente as suas identidades. Pudemos perceber que embora em diversas cantigas seja pontuada a origem afro-brasileira, elas revelam, um caráter fortemente regionalista e muitas vezes, a Bahia e os baianos são apresentados de forma idealizada ou estereotipada. Pudemos concluir que há um caráter intencional desta produção cultural, no sentido em que os mestres buscam com as cantigas manter a tradição e transmitir seus fundamentos e a história da capoeira, e com isso, constatamos a presença de valores, princípios e outros elementos do mundo afro-brasileiro.

Palavras-chave: Cantigas de capoeira. Identidade cultural afro-brasileira.
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Título: PRÁTICAS DE LETRAMENTO NA EDUCAÇÃO DE SURDOS:
REPRESENTAÇÕES DOCENTES SOBRE A “INCLUSÃO”
Mestrando: Murillo da Silva Neto
Orientador: Prof. Dr. Cosme Batista dos Santos
Resumo:

A inclusão de alunos surdos na escola regular requer muito mais que boa vontade. É preciso empenho, seriedade e investimento em formação profissional. O presente trabalho justifica-se por vários motivos, a saber, o principal deles é o fato de que não se pode mais falar em educação “inclusiva” sem que os professores/educadores estejam aptos a trabalharem com as diferenças que lhes são impostas pela inclusão de indivíduos privados de sentidos, sensoriais e/ou motores, em suas salas de aula. Este trabalho, realizado através de estudos teóricos/bibliográficos e pesquisa de campo, investigou um projeto de “inclusão” em uma escola municipal da cidade de Feira de Santana – FSA/BA (Centro Integrado de Educação Municipal Prof. Joselito Falcão de Amorim – (CIEMJFA)), despertou reflexões frente às temáticas que abordam a educação de surdos, para que se pudessem desmitificar formas de preconceitos existentes na sociedade, referentes aos processos educacionais “inclusivos”. A pesquisa está referenciada teoricamente pelos ideários de Letramento, Representação, Identidade e Inclusão e tem como objeto de pesquisa a Formação de Professores para o trabalho com a educação inclusiva. Os objetivos principais da pesquisa foram: discutir a formação dos profissionais ligados ao sistema educacional inclusivo; os métodos da “inclusão” de alunos surdos em escolas regulares, além de observar como se constituem os processos de letramento escolar dos surdos na escola regular, dita “inclusiva”, para verificarmos como se dão as práticas desse letramento na educação dos alunos surdos, a partir, também, da conjectura multidisciplinar do Programa de Pós-Graduação em Crítica Cultural, ao qual está vinculada esta pesquisa. Em linhas gerais vê-se que nas análises feitas pelo corpus das entrevistas feitas aos professores do CIEMJA, existe uma linha difusa sobre que seria a “inclusão” nos discursos, do que realmente é na prática.

Palavras-Chave: Letramento, Representação, Identidade, Inclusão e Formação de Professores.
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Título: AS PRÁTICAS DE LEITURA E ESCRITA EM UMA ESCOLA DO CAMPO: UMA EXPERIÊNCIA DA FAZENDA ESCOVAL
ALAGOINHAS
Mestranda: Thays Macedo Mascarenhas
Orientador: Prof. Dr. Cosme Batista dos Santos
Resumo:

As práticas de leitura e escrita no âmbito da escola tem se constituído numa intensa discussão, nos últimos anos, visto que para boa parte dos educadores, o letramento escolar ainda está ligado à alfabetização e ao ato de ensinar a ler e escrever, desprestigiando as práticas que os alunos já conhecem e remete-nos para a ideologia da escola ao prestigiar práticas de escrita características das classes letradas dominantes. Assim, reconhecemos a escola como uma instância discriminatória, reforçando a exclusão e a estratificação social. É necessário que a escola conheça a orientação de letramento de seus alunos, valorize e considere a sua cultura para que a partir daí outros usos lhes sejam mostrados, visando atender suas necessidades e expectativas sobre a escrita e a leitura. A presente pesquisa teve por objetivo levantar e compreender criticamente as práticas de leitura e escrita vivenciadas por alunos de uma escola do campo e a relação dessas práticas com a cultura local, a fim de desnaturalizar as concepções hegemônicas do uso da escrita valorizadas pela escola, que desconsideram o contexto sócio-histórico e cultural dos alunos que têm suas vidas significadas no campo, posto que, consideramos que os usos da escrita são constituídos pelas condições efetivas de seu uso. Para tanto, discutimos os conceitos de letramento com base nos pressupostos teóricos de HEATH, (1982); STREET, (1984); (KLEIMAN, 1995; 2001) e BARTON, (1994); e para fundamentar histórica e criticamente a Educação do campo utilizamos ARROYO (2005), CALDART (2004), FERNANDES (2000; 2009) e KOLLING; MOLINA (1999). A metodologia de investigação seguiu uma orientação qualitativa de pesquisa de cunho etnográfico (ERICKSON, 2001). Os instrumentos utilizados para a coleta de dados foram a observação participante, a entrevista semi-estruturada, auxiliada algumas vezes pela filmagem e a análise documental. Através desses instrumentos, a coleta de dados se deu a partir do contato direto da pesquisadora com a comunidade pesquisada e com os sujeitos da pesquisa. A ênfase no trabalho com uma abordagem qualitativa pelo viés etnográfico permitiu verificar como acontecem as práticas de letramento em sala de aula e os papéis sociais assumidos pelos alunos e professora durante as aulas observadas. O trabalho de campo foi realizado em uma escola do campo na comunidade da Fazenda Escoval, situada no Distrito de Humildes em Feira de Santana, na Bahia. Por meio desse estudo foram levantadas as práticas de letramento escolar desenvolvidas com os sujeitos da pesquisa, alunos da 3ª série do ensino fundamental I,filhos e filhas de trabalhadores rurais, em um ambiente de tensão que se configura a escola, permeado de conflitos gerados pela identidade cultural dos alunos e alunas e o domínio de práticas de letramento sancionadas pela escola. Acreditamos que esta pesquisa pode contribuir para a mudanças nas escolas do campo, a medida que acreditamos que ao levar as referências culturais de cada pessoa para a sala de aula, o trabalho pedagógico fomenta sua recriação e reprodução coletiva, o que orienta a formação humana, além de contribuir para a emancipação e empoderamento de sujeitos em contextos minoritários.

Palavras-chave: Educação do campo; Letramento; Cultura local
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Título: LETRAMENTO ESCOLAR E SOCIAL: COMO OS MORADORES DOS TRÊS RIACHOS, EM FEIRA DE SANTANA, LIDAM COM ESSAS LEITURAS?
Mestranda: Úrsula Nascimento de Sousa Cunha
Orientador: Prof. Dr. Cosme Batista dos Santos
Resumo:

A partir da concepção de letramento, enriquecida pelos pressupostos da Crítica Cultural, esta pesquisa investigou práticas de leitura e de escrita de adolescentes, alunos da 7ª série da Escola Estadual Régis Bittencourt e de famílias que residem no bairro periférico Três Riachos, em Feira de Santana, Bahia, e como os alunos dessa escola conseguem interligar as atividades escolares às próprias atividades de leitura e de escrita que necessitam exercer cotidianamente em suas comunidades. A pesquisa também averiguou como a prática do letramento digital pode, a partir da escola, contribuir para o empoderamento discursivo de grupos que, muitas vezes, não são ouvidos em diversas agências, inclusive a escolar. Do mesmo modo, foi mportante investigar os conflitos existentes na relação entre o letramento escolar e as práticas cotidianas de estudantes em suas experiências culturais e nas suas lutas diárias pela sobrevivência, elaboração de formas de poder e luta pela cidadania. Na análise, aqui proposta, esses conflitos entre a perspectiva autônoma do letramento e da escolarização e as demandas local e culturalmente situadas foram, portanto, princípios de grande relevância. Do ponto de vista teórico, a pesquisa apóia-se nos estudos sobre letramento, segundo David Barton e Mary Hamilton (2000), Angela Kleiman (2005, 2006, 2008), Roxane Rojo (2009), Magda Soares (1996); sobre identidade e alteridade, segundo Stuart Hall (2003, 2006); letramento digital e inclusão, segundo Luiz Antônio Marcuschi (2005), Josênia Antunes Vieira (2006), Antônio Carlos Xavier (2005, 2008), Carla Viana Coscarelli (2007), Ana Elisa Ribeiro (2007), Salette Tauk Santos (2009) e Marcelo Buzato (2010), e Crítica Cultural e multirreferencialidade, de acordo com Sérgio da Costa Borba (1998), Richard Johson e Ana Carolina Escosteguy (1999), Roberto Henrique Seidel (2007) e Maria Elisa Cevasco (2008). Do ponto de vista metodológico, o corpus de pesquisa foi formado a partir de entrevistas, observação (simples e participante), questionários, produção de texto e conversas informais com os estudantes e suas famílias, sempre partindo do lugar de fala dessas pessoas, como pressupõe a pesquisa qualitativa de cunho etnográfico. Como é peculiar à Crítica Cultural, os próprios sujeitos investigados puderam refletir sobre suas práticas de letramento, tanto na agência escolar quanto em suas comunidades, deixando claro como se torna difícil o diálogo entre essas ações. Além disso, ao travar um diálogo com a família, comunidade desses alunos, foi possível perceber que as práticas de leitura e de escrita que são comuns no bairro Três Riachos e nas relações sociais entre seus moradores / famílias não são didatizadas nas práticas escolares, o que gera, para essas pessoas, uma visão de que seus eventos de letramento diários não são “verdadeiros”, deslocando-os, assim, a um “entre-lugar” discursivo. Aprofundando a análise dos letramentos múltiplos, acrescentou-se a ideia do impacto identitário das tecnologias da informação e comunicação na vida dos participantes desta investigação –alunos, pais, mães, avós, avôs, responsáveis – e como essas comunidades conseguem lidar com a escrita e leitura digitais em suas atividades diárias de interação social, mas não percebem como esses mecanismos podem instrumentalizá-los em atividades escolares.

Palavras-Chave: Letramento. Letramento digital. Identidade. Inclusão digital. Leitura e escrita.
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Título: ORALIDADE, MEMÓRIA E TRADIÇÃO:CONSTITUINTES DAS IDENTIDADES NEGRA E QUILOMBOLA DO POVO DE TIJUAÇU
Mestranda: Vilma Lúcia Cabral Salvador
Orientador: Prof. Dr. Sílvio Roberto dos Santos Oliveira
Resumo:

A visibilidade que os grupos quilombolas estão tendo atualmente foi acentuada graças ao processo de luta pelo reconhecimento de seus direitos territoriais. O enfoque desses novos estudos segue a lógica das diferenças culturais que reconhecem as comunidades quilombolas como grupos étnicos, agora diferenciados das comunidades negras rurais. Sendo assim, o que proponho, por meio deste estudo, é promover uma reflexão sobre o processo identitário do povo de Tijuaçu, comunidade negra rural/quilombola, localizada no semiárido baiano, mas especificamente nos municípios de cidades de Senhor do Bonfim, Filadélfia e Antônio Gonçalves. Por meio das narrativas de seus moradores, principalmente das lideranças quilombolas, tento identificar como se deu a construção do processo histórico e identitário desse grupo social e que contribuições foram legadas pela oralidade, memória e tradição, algumas de suas principais marcas, até culminar na categoria identitária quilombola. A investigação se baseia no limite étnico que define o grupo, ou seja, a passagem de uma comunidade negra rural para uma comunidade quilombola.

Palavras-chave: Identidade. Memória. Oralidade. Tradição. Quilombola.
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